A Elisabeth Kübler-Ross Brasil mantém diversos programas de voluntariado, por meio do qual todos voluntários atravessam um cuidadoso programa de seleção e treinamento de oito meses, seguidos de um período ininterrupto de grupos de estudos e supervisão continuada. Acreditamos que as ações de voluntariado são a alma de nosso projeto, e por isso dedicamos muitas horas de cuidadoso preparo para que nossos voluntários possam reunir as habilidades técnicas e humanas necessárias ao bom andamento de nossas atividades.

Valores essenciais

  1. Manter continuadamente o autocuidado como um imperativo ético, de forma a não de usar o cuidado do outro como um meio indireto para cuidar de si;
  2. Cultivar uma postura compassiva e ativa diante do sofrimento humano, da morte, do morrer e do luto, de forma a ser um instrumento de alívio e crescimento;
  3. Colaborar para o desenvolvimento humano, ainda que diante de situações-limites, com ética, cuidado, compromisso e amor incondicional;
  4. Reconhecer os próprios limites e zelar pelo bom andamento das atividades, de modo a estar plenamente presente durante as atividades;
  5. Ser cuidadoso, assíduo e compromissado com a tarefa assumida, mantendo respeito pelas normas institucionais e legais;
  6. Jamais expor histórias reais de pacientes, por quaisquer meios, garantindo a confidencialidade de todas as informações obtidas no desempenho de sua tarefa;
  7. Exercitar o amor responsável, ativo e livre de todos os preconceitos de raça, credo, cor, religião, origem e destino de todos os seres humanos.

Perfil

Ser proativo, colaborador, compassivo, responsável, pontual, íntegro, vivo e amoroso, de modo a colaborar para o desenvolvimento pessoal e o crescimento moral de todos com os quais conviver.

Seleção

Periodicamente são realizados processos seletivos para novos voluntários. Qualquer pessoa, acima de 18 anos, pode candidatar-se ao processo seletivo, de modo a integrar qualquer um de nossos programas de apoio e suporte a pessoas gravemente enfermas ou pessoas enlutadas.

Treinamento

O programa de treinamento de 8 meses de nossos voluntários é obrigatório para todos os que desejarem integrar qualquer um de nossos programas, e envolve uma ampla aprendizagem envolvendo diversas disciplinas, tais como: Tanatologia, Luto, Cuidados Paliativos, Acompanhamento a Pessoas Gravemente Enfermas, Bioética e Transformação Social.

Termo de Voluntariado

Todos os voluntários que desempenham ações na EKR/Brasil têm acima de 18 anos, e assinam o Termo de Voluntariado, de acordo com a Lei Nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998.

Conteúdo programático da Formação de Voluntários da EKR/Brasil

Março

Sobre a morte e o morrer: uma introdução.

Carga horária: 12 horas.

Conteúdo programático:

A morte e o luto para cada um de nós. Atividades lúdicas, reflexivas e meditações filosóficas acerca da morte e do morrer. Aproximação com a temática, como meio de autocuidado e preparação para tudo o que virá depois. Cuidando dos próprios lutos, e identificando as próprias tarefas inacabadas. Autocuidado como imperativo ético. Cuidados com a criança escondida dentro de nós. Apresentação do Manual de Ética do voluntário EKR/Brasil.

Abril

Autocuidado como imperativo ético

Carga horária: 12 horas.

Conteúdo programático:

Autocuidado como imperativo ético. O processo de transferência e contratransferência no trabalho com a morte, o morrer e o luto. Desenvolvendo recursos para lidar com o sofrimento humano e descobrindo os próprios limites como um meio para a construção da verdadeira sabedoria. O que significa compaixão e como desenvolvê-la. Evitando esquecer-se de cuidar de si ao cuidar do outro. A vida que existe para além da lida com a morte, as perdas e o luto. A formação de um vínculo seguro: familiaridade, continuidade, segurança.  Reconhecendo os próprios limites e buscando ajuda. O que significa ser um voluntário que trabalha com a morte, o morrer e o processo de luto.

Maio

Sobre a morte e o morrer: estudos em tanatologia.

Carga horária: 12 horas.

Atitudes filosóficas, estéticas, espirituais, políticas e artísticas frente à morte e ao morrer. Discussão sobre um dos autores mais clássicos em Tanatologia, Hermann Feifel, autor de The meaning of death (1959). Leitura de Kastenbaum & Aisenberg, em Psicologia da Morte (1983), e os primeiros estudos sobre as atitudes diante da morte e do morrer. Análise do trabalho de P. Àries, em A história da morte no ocidente (2004), e o problema da construção histórica e sócio-cultural diante da morte e do morrer. O trabalho pioneiro de Elisabeth Kübler-Ross e a transformação paradigmática de se tomar os pacientes como professores. O trabalho pioneiro de Cicely Saunders de cuidar integralmente de pessoas morrendo e seus familiares por meio da dimensão física, psíquica, social e espiritual.

Junho

Cuidados Paliativos

Carga horária: 12 horas.

Análise da história dos cuidados paliativos e sua interface com a Tanatologia. O problema da noção de “boa morte” e seus múltiplos significados culturais, singulares, contextuais. O sentido de vida diante da morte; vida com valor, vida com propósito, vida com sentido. Conceito e Aspectos ético-legais dos Cuidados Paliativos; Elegibilidade para Cuidados Paliativos; Modelos de assistência e organização de serviços; Manejo e Controle da Dor; Comunicação e Trabalho em Equipe; Espiritualidade; Assistência à Família e abordagem do sofrimento humano em Cuidados Paliativo; Final de Vida; Cuidados Pós-Morte, Luto antecipatório e cuidado ao sofrimento da equipe.

Julho

Luto: um processo de rompimento de vínculos

Carga horária: 12 horas.

O sentido do processo de luto em nossas vidas, assim como o sentido do amor e do renascimento depois de perdas significativas. O luto como resposta ao rompimento de vínculos significativos e o problema existencial da reconstrução de um sentido para a vida, depois de uma morte. O trabalho de Bowlby e o problema do rompimento de vínculos afetivos. A Teoria do Apego como um modelo explicativo do processo de luto. A análise do trabalho de Parkes para a compreensão do luto de adultos. O modelo de estágios de Elisabeth Kübler-Ross como uma abordagem histórica e didática do processo de luto. O modelo dual como modelo compreensivo do processo de luto e a perspectiva de luto como um processo de construção de significados.

Agosto

Apoio e suporte a enlutados

Carga horária: 12 horas.

O acolhimento de primeira vez. Admissão e formação de um grupo. O microcosmo social e a noção de reeducação de vínculos primários disfuncionais. O processo de um grupo. O cuidar do luto em um grupo: impasses e limites. Psicoeducação com enlutados. Recrutando recursos para o enfrentamento do luto propriamente dito. Componentes próprios do processo de luto: transição psicossocial, descrença, ruminação, sensação de presença, transformações físicas e reações psicossociais mais comuns. Fatores de risco e fatores de proteção. O grupo de apoio como um fator de proteção. Reflexão sobre critérios de inclusão e exclusão no trabalho com enlutados em grupos de apoio. Análise de casos de maior risco psicossocial e formas de encaminhamento para um profissional de saúde mental ou para a rede de assistência psicossocial, se necessário.

Setembro

Apoio e suporte a enlutados II

Carga horária: 12 horas.

Escolhendo o modelo de trabalho com grupos e o público-alvo de enlutados. Tipos especiais de perdas e possibilidades de apoio. Luto infantil. Grupos de cuidadores, grupos de enlutados propriamente ditos. Recursos e técnicas de cuidado e de aconselhamento no luto. Cuidados e práticas estéticas e contemplativas. Espiritualidade e produção de sentidos e significados. Reconhecendo pessoas em risco psicossocial e o papel da supervisão. Limites da atuação do serviço de suporte voluntário a enlutados e encaminhando. O processo de despedida do grupo de apoio e a alta dos membros. O luto do voluntário.

Outubro

Ética e bioética

Carga horária: 12 horas.

Ética e bioética no trabalho com pessoas diante da morte, do morrer e do luto. Bioética aplicada ao fim da vida e ao processo de adoecimento. Questões legais relativas à terminalidade da vida e ao luto no Brasil. Testamento Vital. O problema da morte social no Brasil, e as possibilidades de atuação e transformação social. Eutanásia, Ortotanásia, Mistanásia e Distanásia. Reflexões sobre limites e possibilidades do trabalho voluntário, a partir de uma cuidadosa ética.

Novembro

Final e começo

Carga horária: 12 horas.

Tornando-se voluntário EKR/Brasil. O que vem a ser a Transformação Social, e as possibilidades de intervenção social a partir do voluntariado. Ações comunitárias em escolas, asilos, orfanatos, hospitais e demais dispositivos sociais ou de saúde. Discussão cuidadosa de valores humanos essenciais, tais como: Compaixão, amor incondicional, presença ativa, escuta atenta, autocuidado. Cuidando de si para melhor cuidar do outro. Passando em revista as normas institucionais, e o papel da supervisão.

Total de carga horária: 108 horas.