Voluntariado Compassivo – Inscrições abertas – Turma de 2019

 

Voluntariado Compassivo da Fundação Elisabeth Kübler-Ross – Capítulo Brasil

 

1. Introdução

Oferecemos uma oportunidade para o cultivo do engajamento social e da compaixão a partir do cuidado dos que estão no fim da vida ou em processo de luto. Entendemos que cuidar de pessoas que enfrentam o fim da vida é mais do que um compromisso voluntário, mas também uma oportunidade de se conectar a uma comunidade maior de cuidadores e refletir sobre nossa condição compartilhada face à mortalidade. É também uma oportunidade de transformar a nossa realidade social, por meio da construção de uma comunidade verdadeiramente compassiva.
Nosso programa ensina práticas que ajudam nossos Cuidadores Voluntários a manter sua própria saúde, reforçar sua coragem, sustentar sua energia, desenvolver o autocuidado e a cuidar sem se confundir com o sofrimento dos pacientes e de seus familiares.
Cada voluntário recebe treinamento completo, supervisão e apoio contínuos durante o período de serviço voluntário. Para a maioria das funções, nenhuma experiência prévia em cuidados de saúde é necessária. Nós treinamos voluntários para servir com uma variedade de habilidades fundamentadas em uma base de práticas compassivas, meditação, apoio emocional e social, além de apoio prático para pessoas que enfrentam o diagnóstico de doenças graves, famílias enlutadas e até mesmo outros cuidadores.
Nossos voluntários encontram seu treinamento e serviço como fonte de resiliência, inspiração e abertura de coração. Como resultado, o Programa de Cuidador Voluntário da Fundação Elisabeth Kübler-Ross surge como um dos mais longos programas de voluntariado de cuidados paliativos do país. Embora os voluntários devam se comprometer com um ano de serviço, é permitido que sirvam além disso, segundo os seus corações.
Uma vez treinados, os voluntários servem em nossa sede e também em serviços de Cuidados Paliativos do estado do Rio de Janeiro, sob cuidadosa supervisão.

2. Como se tornar um Cuidador Voluntário EKR/Brasil

O primeiro passo para se tornar um Cuidador Voluntário é submeter uma candidatura, enviando a ficha com informações solicitadas. Os candidatos aprovados na primeira fase da seleção serão convidados a participar de uma entrevista informal. Sendo aprovado entrevista, os participantes se comprometem a completar o treinamento de 78 horas, que é oferecido normalmente uma vez por ano.

  • Total de vagas: 15 vagas para Cuidadores Voluntários.

Especificidade das vagas:

  • Cuidador Voluntário em Cuidados Paliativos (visitas à beira do leito) – 8 vagas.
  • Cuidador Voluntário para a Biblioteca – 1 vaga.
  • Cuidados Voluntário para as Redes Sociais – 2 vagas.
  • Cuidador Voluntário para o Programa de Pesquisa em Narrativas dos Cuidados em Saúde – 4 vagas.

Observação: Para integrar o Programa de Pesquisa em Narrativas dos Cuidados em Saúde, será necessário enviar o comprovante de matrícula em curso de graduação ou pós-graduação na área de saúde, com coeficiente de rendimento acima de 7,0.

Para as demais vagas, pessoas de todas as áreas, com formação na área de saúde ou não podem fazer o nosso treinamento. O treinamento deve ser feito exclusivamente de forma presencial, porque as práticas devem contar com a nossa supervisão direta.

3. Requisitos de participação:

  • Ter acima de 18 anos de idade, não sendo necessário apresentar experiência prévia com cuidados ou formações específicas na área da saúde, a não ser para o Programa de Pesquisa em Narrativas dos Cuidados em Saúde.
  • Participação total no treinamento inicial de 78 horas e Sessões de Supervisão e Treinamentos Contínuas.
  • Apresentar atestado de sanidade física e mental, assim como a carteira de vacinação em dia.
  • Após a conclusão completa do programa de treinamento, os Cuidadores Voluntários se comprometem a servir um turno de 4 horas por semana durante um ano de serviço, assinando um Termo de Compromisso que levarão a cabo esse período.
  • Como a formação para nosso corpo de voluntários é gratuita, serão excluídos no processo seletivo os candidatos que não tiverem disponibilidade para realizar o trabalho voluntário pelo período de no mínimo um ano, depois de finalizado o treinamento.

Elisabeth Kübler-Ross

Programa do Treinamento do Cuidador Voluntário da EKR/Brasil

Modalidade: Exclusivamente presencial.

1. O treinamento rigoroso para os novos cuidadores voluntários concentra-se nos fundamentos dos cuidados paliativos e de cuidados compassivos, dentro de um contexto mais amplo de cuidado e autocuidado. A formação apoia os voluntários a estarem presentes e abertos ao que está acontecendo com o paciente e sua família naquele exato momento, permitindo-lhes assim compreender melhor e responder às necessidades das pessoas que enfrentam o fim da vida ou o seu processo de luto. O compromisso total de treinamento é composto por 78 horas de sessões intensivas de treinamento e sessões de supervisão e treinamento.

2. Datas de treinamento de 2019

14 de junho a 13 de dezembro, semanalmente, às sextas-feiras, de 14h às 17h, na sede da EKR/Brasil, em Copacabana.

Se você não estiver preparado para atender aos requisitos do serviço voluntário de treinamento e prestador de cuidados, por favor, considere tornar-se nosso colaborador indireto, por outros meios. Se este for seu caso, aguarde novas chamadas para auxílios pontuais ou outras modalidades de voluntariado.

O treinamento do Cuidador Voluntário da EKR envolve os seguintes pilares:

1. Fundamentos do Cuidar Compassivo e Contemplativo

Teoria:

Cuidado e Sentido de Vida. A confrontação com a morte; o desenvolvimento de recursos para lidar com as perdas da vida. A caixa de ferramentas de autocuidado compassivo e amoroso. Técnicas de respiração, de relaxamento e imagens mentais. Conexão espiritual e amorosidade. Autocuidado como imperativo ético.
Saúde, Cultura e Sociedade no Brasil. Políticas de Saúde, Sistema Único de Saúde, Linhas de Cuidado. Atenção Terciária, Secundária e Primária no Brasil. Estar gravemente adoecido no Brasil e no Rio de Janeiro: impasses políticos e sociais, significados singulares e familiares. O problema de classes no Brasil. Versões da história da morte no mundo. Há de fato uma morte interdita? O lugar do morrer na cultura brasileira. Necropolítica.
Compaixão em cenários de exclusão social, marginalidade, pobreza e desafios sociais complexos. Obrigações do Estado, questões legais ligadas ao fim da vida. O que é uma comunidade compassiva. Possibilidades de intervenção comunitária em situações de morte, morrer e luto.
História dos cuidados paliativos no mundo. O legado de Cicely Saunders e a criação do modelo de dor total. O trabalho pioneiro de Elisabeth Kübler-Ross na formulação da ideia de o paciente como professor. Fundamentos dos Cuidados Paliativos, evolução do conceito no decorrer das décadas. Cuidados Paliativos no Brasil e no Rio de Janeiro. Desafios para a implantação dos Cuidados Paliativos.
Comunicação compassiva e recursos de autocuidado amoroso. Meditação e contemplação. Encontrando espaços internos para descansar em meio ao caos. Felicidade e alegria em face da vida e da morte.

Práticas:

  • Acessando as tarefas inacabadas do cuidador
  • Meditação e movimentos conscientes
  • Cultivando a atenção plena para o cuidado engajado
  • Cultivando compaixão
  • Exercícios relacionados à perda e luto
  • Contemplação da própria morte
  • Virtudes da comunicação e comunicação virtuosa
  • Desenvolvendo o autocuidado
  • Processos de aconselhamento I
  • Toque afetivo e respeito aos limites do paciente

2. Fundamentos do Cuidar Compassivo com a Família

Teoria:

Construção sócio-histórica do sentimento de família. A invenção do sentimento de infância. A morte na família. Perdas e lutos ao longo da vida. Conceito de morte em diferentes fases do desenvolvimento humano. Perdas na infância, perdas na adolescência, perdas na idade adulta, perdas na velhice.
Teoria do apego e desenvolvimento humano. Estilos de vinculação e níveis de segurança. Relação entre confiança em si mesmo e confiança nos outros. Formação e Rompimento de Vínculos Afetivos. Corresponsabilização, transferência e contratransferência. Narrativas em Cuidados de Saúde.
Famílias inseguras em tempos de crise. Avaliação situacional: como a equipe insegura pode fazer com que a família se torne insegura também, e vice-versa. Negação institucional da morte: impasses para a prática. Reconhecendo limites institucionais com amorosidade.
Como ajudar pacientes e famílias a encontrar paz. Recursos espirituais de cuidado, respeitando-se as crenças e valores familiares. Limites da atuação com a família e comunicação com a equipe multiprofissional para lidar com situações sociais e psíquicas complexas.

Práticas:

  • Estar presente apesar do desconforto e do sofrimento
  • Preparando-se para o fim da vida
  • Criando um plano significativo para o autocuidado
  • Mantendo Limites Saudáveis
  • Comunicação consciente
  • Estar presente com os que morrem: recursos meditativos e contemplativos
  • Espiritualidade no processo do morrer
  • Processos de aconselhamento II
  • Integrando as reuniões familiares: cuidados éticos e atitudinais necessários
  • Lidando com a morte iminente e o pós-morte imediato
  • Cuidados com o luto antecipatório e o luto propriamente dito
  • Identificando fatores de risco para pessoas em luto e encaminhando

3. Cultivando um cuidado meditativo: engajamento no cuidado por meio de um equilíbrio estético e meditativo

Por meio de instrução cuidadosa, discussão em grupo e exercícios envolventes, exploramos noções de perda, compaixão, amorosidade, segurança e outros elementos da experiência de cuidar. Também praticamos diversos recursos meditativos, uma pedra angular do cuidado consciencioso.
Uma abordagem fundamental para usar nosso papel como cuidador como uma oportunidade para crescer como seres humanos. Essa prática nos fornece uma estrutura e linguagem para entender nossa experiência de tecer a atenção plena em nossos cuidados.
Imaginando o cuidador consciente: identificaremos as principais qualidades às quais aspiramos em nossos próprios papéis como cuidadores e consideraremos maneiras de assimilar as qualidades em nosso cuidado de maneira mais profunda e significativa. Essa é uma boa maneira de identificar aqueles que nos inspiraram em nosso papel de cuidadores.
Perda e sua influência na experiência de cuidar: Examinar como nos relacionamos com a perda – uma parte inevitável da vida – nos permite reconhecer quando a nossa resposta emocional influencia o cuidado com os outros. Também aprendemos a sintonizar a experiência da perda que se desdobra naqueles por quem nos importamos.
Cultivando Compaixão: Nós dividimos o processo de experimentar a compaixão em suas etapas componentes para melhor entender como somos impactados pelo sofrimento quando estamos no papel de cuidador. Exploramos as barreiras típicas para expressar a compaixão para conosco mesmos e com os outros, focando em como superar tais barreiras.

Práticas:

  • Linha do tempo das marcas de cuidado
  • Linha do tempo das escolhas e expectativas dos outros sobre nós
  • Lidando com medos e incertezas médicas
  • Meditações para tempos de luto e transição
  • Arte como recurso estético de cuidado e autocuidado
  • Sonhos virtuais: escutando a sabedoria interior
  • Reconhecendo as próprias necessidades
  • Identificando barreiras para o exercício da compaixão
  • Lidando amorosamente com as próprias barreiras internas ao exercício da compaixão
  • Importando-se com os que sofrem sem se perder
  • Escutando as mensagens do corpo
  • Desenvolvendo intimidade conosco mesmos
  • Comunicação em situações difíceis
  • Processos de aconselhamento III e IV

4. Tópicos avançados do cuidar compassivo

Sinais e sintomas mais frequentes. Medicações mais comuns no processo de cuidar diante da morte. Lidando com sintomas de difícil manejo. Situações extremas: extubação paliativa, sedação contínua, desprescrição alimentar, morte neonatal, perinatal e infantil. Noções de doenças crônicas versus doenças agudas. Desejos e vontades ao fim da vida. Noções de Bioética, problemas filosóficos, tecnologia e humanismo em saúde. Bioética e Cuidar ao Fim da Vida. Diretivas Antecipadas de Vontade. Comunicação com a equipe de saúde.
Uso Terapêutico do Self: isso nos ajuda a aprender a diferenciar entre a história do autoconceito e o eu essencial. Os cuidadores voluntários reconhecem seu papel no apoio aos que estão sob os seus cuidados, cultivando a capacidade de mudar entre o autoconceito e o eu essencial.
Paradoxo no Cuidado: Quando o cuidado não sai como o esperado. Lidando com a inevitabilidade das falhas na experiência do cuidador. Examinando nossa relação com o fracasso e o sucesso, e considerarmos formas de permanecer engajados ao cuidado, sem apego ao resultado.
Práticas de Autocuidado: Cuidar de forma sustentável requer autocuidado, de modo que se considera isso não é opcional. Discutir aspectos do autocuidado incluindo avaliação, intenção, obstáculos, autocompaixão e formas práticas de atender a essa necessidade.
Dignidade: Práticas de conservação da Dignidade ao Fim da Vida. Problemas sociais e Dignidade. Avaliação ampla e intervenções cuidadosas e compassivas para o crescimento do sentido de dignidade.
Trabalhando com a Dúvida: Uma exploração da incerteza inerente ao cuidado. Reconhecer a universalidade da dúvida ajudar a lidar com essa reação comum a diversas circunstâncias desafiadoras, tendo a certeza de que se faz o que é possível.

Práticas:

  • Compreendendo sintomas prevalentes, escalas e prognosticação
  • Produção de legado por meio da arte
  • Práticas conservadoras da Dignidade ao Fim da Vida
  • Práticas sustentadoras de Sentido de Vida
  • É possível ser feliz no processo do morrer?
  • Meditação e dor crônica
  • O papel das medicações e o que esperar da proximidade do fim: cenários possíveis
  • Limites éticos e responsabilidades do Cuidador Voluntário
  • Acompanhando até o último suspiro: recursos de cuidado
  • Espiritualidade diante da morte e do morrer: tópicos avançados
  • Preparação do corpo, velório e enterro
  • Intervenções precoces com pessoas enlutadas
  • Identificação e cuidado respeitoso de Tarefas Inacabadas
  • Amor incondicional

Datas importantes:

  • De 15/05/2019 a 31/05/2019 – Período para inscrições e envio de documentação.
  • 04/06/2019 – Resultado da primeira etapa de seleção.
  • 05/06/2019 a 11/06/2019 – Entrevistas informais com os candidatos aprovados na primeira etapa.
  • Dia 12/06/2019 – Divulgação do resultado final dos 15 voluntários aprovados.
  • Dia 14/06/2019 – Início do treinamento.
  • Dia 13/12/2019 – Fim do treinamento e formatura.
  • Primeiro bimestre de 2020: prática em campo, sob supervisão.

Campos de atuação:

  • Atuação em serviços de cuidados paliativos em alguns hospitais públicos da cidade;
  • Grupo de apoio ao luto pela perda gestacional e neonatal;
  • Grupo de apoio a cuidadores de pacientes cronicamente enfermos;
  • Grupo de apoio ao luto em geral;
  • Grupo de costura para famílias enlutadas;
  • Ações educativas voltadas para a comunidade;
  • Pesquisa em Narrativas dos Cuidados em Saúde, em pesquisa vinculada a Universidade Federal do Rio de Janeiro, e aprovada em Comitê de Ética e Pesquisa.
  • Ações comunitárias com associações de bairro, escolas, orfanatos, postos de saúde e outros dispositivos educacionais e culturais nos temas da perda, morte e luto.

Documentação necessária para ser enviada:

  • Atestado médico de sanidade física e mental;
  • Carteira de vacinação em dia;
  • Carta de intenção (máximo de duas laudas, indicando claramente a motivação para participar do projeto);
  • Carteira de identificação oficial com foto, devidamente digitalizada;
  • Ficha de inscrição voluntariado EKR devidamente preenchida. (Clique ao lado para baixar a ficha)
  • Envio de documentação:
  • Enviar a documentação solicitada para o seguinte e-mail: voluntariadoekrbrasil@gmail.com

 

Aguardamos você!

Atenciosamente,
Equipe da Fundação Elisabeth Kübler-Ross Brasil